Reflexão sobre intenção e rotina
Mon, 16/Feb/26
De tempos em tempos fico sozinho por alguns dias em casa, isso naturalmente me faz ter de cuidar da casa, e o somatório de todas essas ocorrências me faz cada vez mais pensar sobre como a rotina traz liberdade. Apesar de já ter lido várias outras pessoas falando sobre viver isso na pele me fez entender com mais intensidade o quanto forte ela pode ser, e algo que me parece ter a mesma força e quando juntas resulta em algo maior que a soma individual é a intenção.
Quase toda vez que começo a realizar a mais simples das atividades, que geralmente seria considerada um empecilho sem muita importância a simplesmente ser transpassado, com intenção e presença parece que o tempo passa mais devagar, que toda a pressa que me fazia estar um tanto agitado e acelerado pós finalização vai-se em bora e mais tempo me está disponível. É muito estranho e contra intuitivo de começo, porém, não me parece ser algo raro de acontecer quando se pensa em estar presente no momento.
A rotina, mesmo quando não somada ativamente a intenção e presença, acaba trazendo uma certa previsibilidade que possibilita um aproveito mais pleno do tempo ao qual não se tem uma obrigação a ser cumprida.
A abordagem capitalista/individualista capturou e ressignificou a rotina e de tabela tornou a presença no agora obsoleto e insignificante, começa com a rotina não mais como algo a trazer paz e sim um algoritmo rígido a ser seguido, para o alcançar de um objetivo no futuro; se o agora é tudo que temos sera que vale a pena realmente não estar no agora em prol de um dito bom futuro?
Esse futuro é bom para quem?
Eu não venho aqui para trazer respostas, no máximo, caminho em busca delas e de novas perguntas e isso é o que compartilho.
