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Muitas coisas aconteceram e várias outras não

Sun, 12/Apr/26

Apesar de não ter passado muito tempo seguido escrevendo para o blog foi peculiar ficar quase duas semanas sem finalizar a escrita de nada aqui, toda vez que eu começava até poderia dar uma boa caminhada, porém, pouco demorava para um sentimento diferente começar a emergir. Era como se eu estivesse começando a me perder no que estava fazendo e não mais criando por criar e sim para tentar preencher uma tabela, mas, ao mesmo tempo as coisas ainda tinham alma, não sei explicar direito.

A maneira que provavelmente no futuro rever esse momento vai me trazer uma melhor percepção do mesmo esse intervalo entre o dia 30/03/26 e hoje (12/04/26) me fez compreender de maneira um pouco mais precisa o caminho que vou seguir, obviamente não tenho compreensão completa dele - provavelmente nunca vamos conseguir ter uma total compreensão do que vivemos por causa das limitações de perspectiva - mas algumas percepções e abordagens mudaram.

Os principais pontos que me impactaram foram de certa forma sequências dos pensamentos que me fizeram escrever o [[TempoEErros]], e parando para pensar é interessante ver como em um episódio do Bisaco de Ideias - podcast que mantive durante um período de 2023 e 2024 - eu disse achar que o tempo seria um dos temas mais recorrentes no meu pensar mesmo já tendo falado e escrito sobre ele na época.

Agora próximo mês vai completar 4 anos desde o momento em que comecei a realmente me dedicar ao 3D, e desde lá ainda não conseguir um emprego na área, cada vez que penso sobre isso mais e mais o clima muda de uma tristeza para algo peculiar. Uma mistura de sentimentos emergem sabe. Duas coisas me vem de maneira mais forte: como mais e mais vai ficando evidente o quanto alguns comportamentos prejudiciais poderiam ter sido mitigados de maneiras absolutamente simples e como estar na condição de autodidata e permanecer é na realidade algo muito mais trágico que heroico.

O principal comportamento que mais me fez estagnar se resume em: ficar adiando a feitura de algo usando como desculpa um grande escopo e preferir, no lugar de logo realiza-lo, trabalhar em algo menor para ir aos poucos subindo de nível. A primeira vista isso parece na realidade muito bom né, e essa percepção não está errada quando você tem e segue um plano bem pensado levando isso em consideração, entretanto ao estar na condição de autodidata você provavelmente não tem experiência o bastante para realmente entender os limites das suas capacidade e tem um ego grande de mais para se deixar errar o suficiente, isso resulta em quase sempre você passar muito mais tempo que o necessário fazendo coisas simples de mais.

E o segundo elemento, como fica evidente no paragrafo anterior, está entremeado com o primeiro, e com um olhar suficientemente cuidadoso percebe-se também que ele é até mais radical que o primeiro. A parte trágica que ao meu ver é inerente ao autodidatismo vem da limitação nas conexões que conseguimos estabelecer com o conhecimento a ser obtido, enquanto ao estamos passando pelo processo de aprendizagem junto a outras pessoas, e principalmente sob os cuidados de outrem mais experiente, os aprendizados não se limitam ao útil e tem de maneira natural um elemento hereditário mais forte. Quando estudamos as coisas “sozinhos(as)” geralmente temos acesso apenas a parte mais diretamente útil dos conhecimentos e perdemos acesso ao que faz o individuo a passar aqueles conhecimento único, perdemos acesso as experiências individuais da trajetória do(a) mestre(a).


Um tom melancólico pode ter se instaurado com a leitura dessas parágrafos anteriores, entretanto acredito que ele vem justamente do mesmo lugar que causa essas condições retardantes do aprendizado, o caminho que me parece ser o fornecedor de mais bons frutos é tirar o proveito das situações a que se está submetido(a) e respeitar o tempo. Atualmente não tenho acesso direto a uma pessoa mais experiente que eu na área artística que possa me auxiliar, porém isso por si só também é uma experiência válida e vai trazer elementos específicos para minha “visão padrão” das coisas.

Acho que tudo aqui escrito pode ser resumido em respeitar o tempo.