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Capa Flores para Algernon

Flores para Algernon

A alguns anos eu tinha começado a ler Flores para Algernon, não lembro porque acabei abandonando. É absurdamente interessante ver a evolução do Charlie.

Se ver no Charlie e perceber como algumas indignações que sentimos é na realidade uma falta de perspectiva e amadurecimento é lindo. Um tapa na cara muito gostoso de se tomar. Em múltiplos momentos, lendo agora um tanto mais velho, é absolutamente simples de ver como algumas das aflições do Charlie eram resultantes de imaturidade emocional.

Os momentos em que ele fala sobre a inutilidade da inteligência me pegaram forte, a conclusão do Charlie - mais próxima ao final do livro - de que o conhecimento sem o afeto humano de muito pouco vale é algo que me vem a mente de tempo em tempos. No final me parece que quase tudo de útil, na realidade, só tem real valor quando voltado ao inútil.

Ver a emersão dos traumas dele também foi algo que achei especialmente interessante, ter a raiz da reação explosiva dele com a esposa do militar, da forma com que ele lida com a Alice e etc, aparecendo e a dificuldade de - mesmo sabendo sobre a origem - lidar com isso foi o tipo de coisa que me fez chegar a pensamentos que ainda não consigo por em palavras.

Parece que somos tão simples que acabamos complicando as coisas para torna-las menos perturbadoras.

Apesar do final ser construído aos poucos, fazendo com que saibamos o que vai acontecer um tempo considerável antes dele, ver a consumação me fez chorar.