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Convidado de honra

Eu tinha postado um stories mostrando uma pintura do Ilya Repin na qual, diferente de muitas famosas da Russia, não representava algo absurdamente impactante de escala consideravelmente grande e sim um drama absurdo que se limita - até certo ponto - a cabeça um ingênuo garoto e uma moça. Isso desencadeou uma troca de mensagens com o Giovanne que resultou nele me enviando um conto que escreveu a pouco tempo.

Link para o Conto

Além da grata felicidade de descobrir a escrita de um amigo esse conto também me serviu de gatilho para refletir de forma mais estruturada sobre uma questão que, aos poucos, vinha se mostrando mais e mais presente no meu pensar.

Ao final do conto fica a duvida mais clara sobre quem era o Moeda, sobre o que ele fazia e etc, como o próprio Giovanne comentou enquanto conversávamos sobre “acho que foi a única na verdade”, mas o meu costume em ficar relativamente satisfeito mesmo não sabendo certas coisas me fez refletir não exatamente sobre o que o Moeda fazia mas sim sobre o porque.

O Moeda, pós chegada no casamento, é descrito como “…um convidado sem graça!”, uma reflexão sobre como a antiga lenda aventureira ter se tornado um qualquer parece ser o grande ponto do conto, sobre como o tempo e as condições materiais modernas fazem das pessoas mais divertidas tão únicas quanto uma gota de chuva.

A vida seguiu e fez com que o Moeda não mais tivesse a liberdade de ser quem era, agora estando sob as demandas da vida adulta não mais pode ser aquele garoto livre que fazia as grandes loucuras e com isso não só se divertia como também alegrava aqueles ao seu redor. Um grande garoto alegre que foi podado e moldado pelo sistema.

Mas, uma outra visão me faz refletir, sera que na realidade o Moeda não era um garoto livre e sim um solitário que não conseguia socializar direito e viu nas aventuras e loucuras uma forma de se conectar com as outras pessoas? Não é possível que hoje ele seja até mais verdadeiro consigo mesmo e mais interessante que em outrora? Sera que ele não mais precisa fazer todas aquelas loucuras para um público amplo porque agora compreende mais sobre si mesmo e sobre socialização a ponto de ter suas amizades mais próximas e, talvez, um(a) parceiro(a) com quem ser quem satisfaz seu desejo de se contar com outrem?

O Giovanne me deu uma resposta mas resolvi ignorar, naturalmente pela minha escolha de ignorar você deve deduzir que a reposta foi na direção da ideia que menos te agradou - ou que pareça menos ter me agradado -, porém vale reiterar o que me fez chegar nessas ideia “o meu costume em ficar relativamente satisfeito mesmo não sabendo certas coisas”, eu nunca vou dizer qual foi a resposta dele e a ignoraria independente de qual fosse porque acredito fortemente que existem duvidas que não devem ser respondidas.